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Comer em restaurantes todos os dias úteis pode gerar gasto mensal de R$ 625,28, segundo levantamento da Assert – ERICK PINHEIRO

O sorocabano que come fora de casa todos os dias úteis pode ter um gasto mensal de R$ 625,28, segundo levantamento da Associação de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), divulgado neste mês. O valor representa o custo médio da refeição em Sorocaba, de R$ 28,44, que aumentou 8% de 2015 para 2016. O preço médio da refeição na cidade é o quinto maior no Estado de São Paulo, mas está abaixo da média do Sudeste e do Brasil, nos valores de R$ 30,93 e R$ 30,48, respectivamente. De acordo com empresários do setor, o aumento dos preços de fornecedores é o responsável pelo custo elevado da refeição, que acabou afugentando alguns clientes. 

O levantamento da Assert foi feito em 51 cidades, sendo 23 capitais e as maiores cidades em cinco regiões brasileiras. De acordo com a associação, foram entrevistados 4.560 proprietários ou responsáveis por informações sobre preços em restaurantes, bares, lanchonetes e padarias que oferecem refeições em pratos, acomodação em mesa e que aceitam pelo menos um tipo de vale-refeição. Ao todo, foram obtidos 5.436 preços de diferentes ofertas ou tipos de refeição: prato feito ou comercial, autosserviço (refeição a quilo/preço fixo), prato executivo e “a la carte”.

Em Sorocaba, conforme o estudo, a refeição mais cara é a la carte, que tem o custo médio de R$ 48,46. O segundo mais caro é o prato executivo, no valor de R$ 37,50. O preço do quilo, no autosserviço, é de R$ 28,44. Enquanto isso, a refeição comercial, o chamado prato feito, custa em média R$ 25,59. De acordo com a Assert, o preço médio da refeição é de R$ 28,44 — o mesmo do preço do quilo — porque são descontados os valores extremos para cálculo.

Dentre os 15 municípios do Estado de São Palo que foram alvo do levantamento, Sorocaba foi o que teve a quinta refeição mais cara. Santos, onde o preço médio da refeição é de R$ 34,83, é o primeiro da lista. Em seguida, aparece Campinas, cujo custo com comida é de R$ 33,01. Ribeirão Preto tem a terceira comida mais cara, no valor de R$ 31,20. A última cidade antes de Sorocaba é a capital, São Paulo, onde o consumidor paga em média R$ 30,98 pela refeição fora de casa.

Preços altos nos fornecedores

A carne foi o primeiro item dos restaurantes que ficou mais caro, mas, agora, todo o resto tem acompanhado a elevação de preço. Essa é a análise que faz a empresária Camila Juliana Maranzan, proprietária de um restaurante no Alto da Boa Vista. Segundo ela, produtos de limpeza, arroz, feijão, óleo e leite condensado estão com preço elevado, o que obriga a variar os fornecedores. “Alguns itens, como leite condensado, tem diferença de preço de 100%”, comenta.

Todo esse reajuste nos itens comprados para manter o restaurante, no entanto, não foi repassado ao consumidor, ela garante. O jeito, afirma Camila, foi pegar dinheiro em banco e demitir funcionários. “Subimos 17% o preço do quilo neste ano, mas, antes mesmo de reajustar os preços, o movimento tinha caído de 20% a 30%”, ressalta.

Avaliação semelhante faz João Batista Bertolucci, responsável por um restaurante no centro de Sorocaba. Ele destaca que a frequência caiu 30% nos restaurantes. Contudo, mesmo diante do aumento no preço de itens como carne e hortifrutis, Bertolucci afirma que não faz reajustes há dois anos. “Não aumento porque a freguesia não teve esse reajuste, meu público é o comerciário, então temos que manter.”

O comerciante avalia que o sorocabano está assustado com a situação econômica, o que inibe o hábito de comer fora de casa. Assim também pensa Camila. De acordo com ela, alguns clientes comentam que têm levado comida feita em casa para o trabalho ou mesmo procurado refeições mais baratas, como lanches e salgados.

Restaurantes mantêm clientes fiéis, apesar do preço elevado

Variedade e praticidade, mas, principalmente, a falta de tempo são os fatores que levam os consumidores a manter a fidelidade com o almoço fora de casa, apesar do preço elevado. Quem trabalha e não tem tempo de ir para a casa para se alimentar, muitas vezes escolhe comer em restaurantes. O publicitário Marcelo Araújo, que mora sozinho, conta que almoça fora todos os dias. “A comida feita em casa você sabe a procedência e é mais saudável, mas os restaurantes trazem mais comodidade e praticidade”, afirma.

Outro fator positivo de comer fora é a diversidade de pratos, conta a escrevente Valéria Espírito Santo. “Tem variedade de saladas nos restaurantes, que são vantagem”, destaca ela, que, junto com o marido, o técnico em eletrônica, Marco Espírito Santo, recorre ao restaurante mais próximo do local de trabalho. De acordo com Marco, o critério de escolha, com isso, é preço e qualidade. “Tem que ser comida boa e que esteja dentro do orçamento”, comenta.

Mesmo quem não precisa comer fora de casa todos os dias, acredita que a comida de restaurante traz vantagens. “Aqui você tem opção de saladas e pratos quentes. Quando a idade vem chegando, a gente precisa comer comida mais saudável, então parte para onde tem variedade”, conclui outro cliente.

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