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Na EM Quinzinho de Barros, a falta de materiais é motivo de reclamação por parte dos pais

A pouco mais de um mês do final do primeiro semestre, mas ao menos uma parte dos alunos das escolas municipais ainda não recebeu todo o material do kit escolar, segundo relato de alguns pais ao Cruzeiro do Sul. O ano letivo em 2016 iniciou em 11 de fevereiro, mas continuam as queixas sofre a falta de vários itens, além da baixa qualidade dos produtos entregues e até mesmo a distribuição de itens que jamais serão usados pelos alunos, como o de canetas esferográficas para estudantes do ensino infantil. Já a versão da Secretaria Municipal da Educação (Sedu) é a de que recebeu das escolas a informação de que a distribuição de todos os itens do kit foi concluída no dia 13 de maio a todos os 53.844 alunos da rede municipal. A Sedu não explicou, no entanto, porque nem todos os alunos receberam o material e o que motiva as reclamações dos pais. 
  
Uma professora que não quis se identificar confirmou que ainda faltam alguns itens porque são comprados em diferentes processos de licitações. As queixas são da falta de caderno, caneta hidrográfica (canetinha), parte dos lápis de escrever, parte das borrachas, massa de modelar, tinta guache, papel sulfite e estojo. Há casos em que as massas de modelar seriam divididas ao meio para atender mais de um aluno ou de professores que fazem em casa a massinha com farinha de trigo para ser usada em sala. 
  
Entre as reclamações de qualidade inapropriada, estão os cadernos com páginas recicladas, que são mais sensíveis ao uso da borracha e que se rasgam mais facilmente ao tentar apagar algo que foi escrito a lápis. Outra professora ouvida, comentou que a partir da lei que instituiu a distribuição do kit escolar, não mais se pode passar lista de materiais para os pais, no entanto, os produtos enviados pela Prefeitura não são os mais básicos possíveis. 
  
A dona de casa Teresinha Antônio dos Santos, 53 anos, é mãe de aluno da Escola Municipal José Mendes, no Jardim Hungarês. Ela disse que levou 300 folhas de sulfite para serem usadas na escola. “É caótico. Quem pode comprar leva, quem não pode usa parte dos que levam”, reclamou. A dona de casa e mãe de três filhos, dois deles estudantes, Vanessa Vieira Delfino, 27 anos, afirma que não foram entregues borracha, parte dos lápis e papel almaço quadriculado. Ela disse que também precisou comprar um caderno e que na casa dela qualquer valor faz falta na renda familiar, já que um dos filhos tem 18 meses e o dinheiro poderia ser usado para comprar fraldas. 
  

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Na escola Achilles de Almeida, na Vila Hortência, o metalúrgico Newton de Oliveira, 43 anos, disse que prefere comprar o material dos três filhos porque a qualidade do distribuído é muito ruim. Citou que os lápis de escrever do kit não entram no apontador que vem junto. Mãe de um aluno da mesma escola, a vendedora Daniele Ribeiro, 33 anos, diz que entregaram um único dos quatro cadernos previstos. “Faltam cadernos e papel sulfite”, reclamou. 
  
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Na Escola Municipal Quinzinho de Barros, a vendedora Edilaine Andrade, 32 anos, disse que gastou quase R$ 100 no início do ano para comprar estojo, lápis de cor, apontador, lápis de escrever, borracha, caderno, tesoura, cola e folha de sulfite. “Depois chegou parte do material, mas é vergonhoso, porque se não tivéssemos comprado não teria como iniciar as aulas”, enfatizou. A manicure e cabeleireira Lindinara Mariane Amaral, 33 anos, reclamou que o grafite do lápis de escrever é todo quebrado, já que não há como apontar. Luana de Lima Augusto, 30 anos, disse ter gasto cerca de R$ 100, já que nem todo o material foi distribuído. Iolanda de Souza Silva Dionízio, 46 anos, disse que não foi entregue o papel quadriculado e quatro lápis de escrever. “Faltou pouca coisa, eu não me sinto incomodada porque a Prefeitura dá e quando a mãe pode, não tem o porque deixar de ajudar”, argumentou. 
  
  
Versão da Prefeitura 
  
  
A explicação da Prefeitura para as questões apontadas pela reportagem foi feita por meio da seguinte nota: ” A Secretaria da Educação (Sedu) informa que mantém um canal oficial para receber todo o tipo de reclamação, tanto por parte das unidades escolares, quanto de pais de alunos. Até este momento, não há registros com essas informações. Inclusive, o secretário da Educação, Flaviano Agostinho de Lima, se coloca à disposição para atender pais e educadores em relação às informações citadas.” 
  
Materiais previstos no Kit escolar por turma 
  
* Berçário – Caderno 48 folhas – Valor pago pela Prefeitura pelo item: R$ 2,47. 
  
* Creches 1, 2 e 3 – 100 folhas sulfite, apontador jumbo triangular, bloco A3 layout, caderno brochura 48 folhas., 2 colas brancas, giz de cera curto grosso 15 cores, 2 lápis grafite triangular jumbo, massa de modelar 12 cores, pasta polionda e tesoura 13 mm. Valor pago pela Prefeitura por cada kit: R$ 51,20 
  
* Pré Escola 1 e 2 – Caderno brochura 48 folhas., caneta hidrográfica 12 cores, 2 colas brancas, estojo jeans, lápis de cor 12 cores, 4 lápis preto, massa de modelar 12 cores, 100 folhas. Sulfite, pasta corrugada, tesoura 13 mm, apontador com depósito, 2 borrachas, têmpera guache 6 cores. Valor pago pela Prefeitura por cada kit: R$ 40,08 
  
* Ensino Fundamental 1 / 1º ao 5º ano – Apontador com depósito, 2 borrachas, caderno brochura 48 folhas., 3 cadernos brochura 96 folhas., 2 canetas azuis, caneta vermelha, 2 colas brancas, lápis de cor 12 cores, 6 lápis preto, pasta polionda, tesoura 13 mm, estojo jeans, régua 30 cm, papel almaço quadriculado. Valor pago pela Prefeitura por cada kit: R$ 54,65 
  
* Fundamental 2 / 6º ao 9º ano – Apontador com depósito, 2 borrachas, 2 cadernos espirais 200 folhas., caderno espiral desenho 96 folhas., 2 canetas azuis, caneta vermelha, 2 colas, lápis de cor 12 cores, 4 lápis preto, papel almaço, 100 folhas. Papel sulfite, caneta hidrográfica 12 cores, pasta polionda, tesoura 13 mm, estojo jeans, régua 30 cm. Valor pago pela Prefeitura por cada kit: R$ 74,29 
  
* Ensino Médio – Apontador com depósito, 2 borrachas, 2 cadernos espiral 200 folhas., caderno espiral desenho 96 folhas., 2 canetas azuis, caneta vermelha, cola, lápis de cor, papel almaço, 4 lápis preto, 100 folhas. Papel sulfite, régua 30 cm, papel quadriculado, pasta corrugada. Valor pago pela Prefeitura por cada kit: R$ 60,69 
  
* Oficina Saber – Apontador com depósito, borracha, caderno brochura 96 folhas., caderno brochura 48 folhas., cola branca, lápis de cor 12 cores, lápis preto, pasta corrugada, 100 folhas. Papel sulfite, pincel nº 14, tesoura 13 mm. Valor pago pela Prefeitura por cada kit: R$ 27,65 
  
Fonte: Secretaria Municipal da Educação (Sedu) 
FONTE JORNAL CRUZEIRO DO SUL

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