image

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece que todos os veículos motorizados são responsáveis pela segurança dos pedestres

De acordo com o artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela segurança do pedestre. Em Sorocaba, embora existam cerca de 250 faixas de travessia elevadas, os motoristas avançam sobre os pedestres em pontos de grande circulação. A equipe de reportagem do Cruzeiro do Sul flagrou algumas situações que constituem, segundo o artigo 214 do CTB, infração de trânsito de natureza gravíssima ou grave nas ruas da região central (veja vídeo). De janeiro a março deste ano, segundo a Urbes — Trânsito e Transporte, três pessoas morreram em decorrência de atropelamentos. Em 2015, no mesmo período, as vítimas que não resistiram aos ferimentos e faleceram foram cinco. 

A maior queixa entre os pedestres é que muitas vezes um motorista para o carro e sinaliza, porém o condutor que vem na faixa ao lado não respeita a preferência. Na rua Doutor Álvaro Soares um homem com dificuldade de locomoção aguardava para atravessar no local indicado e o motorista que vinha na faixa central parou o seu carro. Quando o homem atravessava, um Fiat Fiorino, em alta velocidade, na faixa da direita, quase o atropelou e seguiu sem dar preferência. O aposentado José Antônio de Oliveira, 69, que vezes é motorista e vezes é pedestre, conta que no Centro é preciso ter atenção redobrada. “Tem também que ficar atento com os motociclistas, porque eles vêm nos corredores e não respeitam quem está atravessando”, reclama. 

Segundo a Urbes, os condutores que priorizam a travessia de pedestres precisam acionar o pisca-alerta do veículo e sinalizar com gestos sua intenção, a fim de chamar a atenção dos demais para que também parem. O órgão destaca que toda faixa elevada para travessia de pedestres é precedida de sinalização de advertência e também de regulamentação de velocidade, as quais devem ser respeitadas pelos condutores para preservar sua segurança e dos demais usuários das vias. 

Alzira Arjona Alves, 72, conta que já foi atropelada na avenida Itavuvu e que prefere sempre atravessar em alguma faixa de pedestre localizada em frente aos semáforos. “É mais garantido que os motoristas parem. Com a idade que já tenho, é mais perigoso, porque não tenho mais agilidade para correr se precisar.” O técnico em manutenção Ivan Souza Oliveira, 31, trabalha no Centro e diariamente precisa contar com a boa vontade dos motoristas. “Aqui na Álvaro Soares já teve muito acidente, principalmente com idoso”, recorda. 

Na rua Padre Luís, também no Centro, uma faixa elevada de travessia foi instalada há pouco tempo e segundo o vigilante Edivaldo Fernandes, 47, está mais fácil para cruzar a via, porém ele afirma que os motoristas ficaram mais solícitos em frente as câmeras. “Quando o sinal lá na frente está verde eles quase passam por cima da gente. Hoje estão parando porque vocês estão filmando”, garante. Em frente ao Poupatempo, na rua Leopoldo Machado, os pedestres também precisam aguardar vários minutos até que algum condutor dê preferência na faixa. O aposentado Antônio Amaro da Silva, 52, e sua esposa, a auxiliar de produção Loide Oliveira da Silva, 54, aguardaram quase cinco minutos e mesmo assim só conseguiram atravessar quando o fluxo de carros parou na avenida Dom Aguirre. “Mas a gente passa correndo, porque aqui vem muitos ônibus. É perigoso.” 

Anúncios