Professora Beathris Caixeiro Del Cistia, no bairro São Conrado, zona norte de Sorocaba, convive com o medo nas últimas semanas. Na primeira semana de outubro, quatro alunos foram assaltados no caminho de volta para casa após o término do período noturno, às 23h. Na última semana de setembro ocorreram três assaltos. De uma classe de 40 alunos, 15 foram vítimas de roubos nas últimas semanas. Os crimes acontecem nas ruas do bairro que dão acesso à escola, localizada na rua Arthur Cagliari, 1.205. 

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Moradores dessa rua, que têm suas casas em frente à escola, também reclamam da “bagunça” que impera no local, principalmente à noite, nos horários de entrada e saída dos alunos. A “bagunça” inclui venda e consumo de drogas (crack, maconha, cocaína), som alto nos carros, motos velozes sendo empinadas, veículos na contramão. 
  
“Aqui ninguém respeita nada, aqui é terra de ninguém”, descreve uma moradora dessa rua. “É um terror isso aqui”, ela enfatiza, complementando: “O pessoal fica fumando maconha na frente da casa da gente e fazendo bagunça, eles acham que mandam na frente da nossa casa.” 
  
  
Medo de represálias 
  
  
Em razão dos riscos e por temor de represálias de ladrões e traficantes de drogas, todos os moradores e representantes da escola com quem a reportagem conversou pediram para não serem identificados. Eles adiantam que, em razão da burocracia e de demora no atendimento, a maioria das vítimas de roubos nas vizinhanças da escola não se dirige aos distritos policiais para registrar boletim de ocorrência. 
  
A escola tem aproximadamente 1.100 alunos distribuídos em três períodos (manhã, tarde e noite), que cursam o ensino fundamental 2 e o ensino médio. O primeiro período começa às 7h e termina às 12h20; o segundo período vai das 13h às 18h20; o terceiro período dura das 19h às 23h. 
  
  
Portões fechados 
  
  
A maioria dos moradores da rua Arthur Cagliari, como forma de proteção, prefere fechar os portões e se recolher no interior de suas casas. Muitos têm dificuldade de entrar e sair dos imóveis. Quem reclama, é ameaçado. Um morador se queixou de um grupo de jovens e, em represália, motos pressionaram o portão e desconhecidos atiraram pedras no quintal. Uma moradora disse que já pensou em se mudar do bairro e só não fez isso porque não encontrou condições de se fixar em outro lugar. 
  
Quanto à escola Beathris Caixeiro, pessoas no bairro dizem que temem a entrada de droga na unidade. Mas outros garantem que a droga já entrou na escola. Comentam que professores têm dificuldade de fazer abordagens porque, para isso, precisariam de provas. E mesmo assim, se comunicassem os pais em caso de apreensão, poderiam se surpreender com reações de censura e sentimentos de ofensa. 
  
O jornal Cruzeiro do Sul apurou que no interior da escola ainda não foi identificado registro de aluno com droga e, na hipótese de isso ocorrer, os pais são chamados. “O problema não é aqui dentro, é lá fora”, afirmou uma mulher, reconhecendo a preocupação de que esse clima, se nada for feito, leve alunos a deixarem de frequentar a escola. “O que acontece é que o consumo de drogas está enorme em todos os locais, infelizmente”, lamentou outra mulher. 
  
  
Ofícios às autoridades 
  
  
Moradores do São Conrado também informam que ofícios já foram encaminhados à Polícia Militar, pedindo intensificação do policiamento, e também à Urbes, por causa da confusão do trânsito em frente à escola. Atualmente, um grupo de pessoas organiza coleta de assinaturas para abaixo-assinado, que também será encaminhado à polícia, reivindicando segurança. 
  
Sobre os assaltos, os alunos são orientados pela comunidade escolar a não voltarem para casa sozinhos no fim da noite, devendo se juntar em grupos. Não adianta. Num dos casos, três alunos (dois rapazes e uma moça) voltavam para casa quando foram atacados por bandidos. Os ladrões habitualmente usam facas e armas de fogo. Há casos em que circulam de moto. Os alvos deles são os celulares e outros itens que tiverem valor. Uma mulher disse que, quando não têm celulares, as vítimas ficam sujeitas a apanhar dos bandidos. 
  
Há uma câmera no alto da caixa-dágua da escola, mas que não inibe a confusão na rua Arthur Cagliari. Segundo a comunidade escolar e os moradores, viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal “de vez em quando” comparecem na escola meia hora antes da entrada dos alunos e meia hora depois vão embora. Mas argumentam que isso não inibe a ação de ladrões e não dá solução para a “bagunça” na rua. Também se queixam de que a polícia “aparece nos momentos de calma” e, nas ocasiões de insegurança, “a polícia quase nunca vem”. 
  
  
Atenção das famílias 
  
  
Quando podem, irmãos ou namorados buscam alunos e alunas na saída dos períodos da tarde e noturno. No final da tarde de sexta-feira, uma mãe disse que todos os dias busca a filha de 14 anos, que estuda à tarde e sai da escola às 18h20. “Sempre venho buscar (a filha) por causa da escuridão. Mesmo morando perto (da escola), é perigoso”, disse a mulher. Na quinta e na sexta-feira uma lâmpada da iluminação da rua, em frente ao portão da escola, estava queimada. A reportagem conversou na última quinta-feira com vários moradores da rua Arthur Cagliari e com representantes da comunidade escolar. Em razão de chuva e do número de alunos abaixo do normal, em virtude do feriado do Dia das Crianças, o dia foi atípico, sem o movimento habitual. Na sexta-feira a rotina da escola foi marcada apenas por reunião dos pais. “Às segundas-feiras isso aqui ferve”, disse uma moradora da rua Arthur Cagliari. 
  
  
Registrar ocorrência ajuda na prevenção 
  
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo se manifestou sobre o clima de insegurança que envolve a comunidade escolar da unidade de ensino Professora Beathriz Caixeiro Del Cistia. Por meio da Secretaria, a Polícia Civil de Sorocaba informa que o 8º Distrito Policial da cidade registrou uma ocorrência de roubo na rua citada nos últimos dez dias e investiga o caso. O órgão ressalta a importância do registro do Boletim de Ocorrência para a investigação e responsabilização dos autores de crimes, o que possibilita ainda o correto planejamento de rondas preventivas. Os roubos e furtos podem ser registrados em qualquer DP da cidade e também na internet pela delegacia eletrônica. A população também pode usar o Disque-denúncia pelo telefone 181, sem a necessidade de identificação. 
  
Polícia Militar 
  
No âmbito da Polícia Militar de São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública informa que “a Polícia Militar, em respeito ao cidadão, realiza o policiamento no entorno das escolas buscando combater o crime e proteger as pessoas”. 
Conforme a Secretaria, o direcionamento do policiamento preventivo é realizado de acordo com os registros criminais, através de boletim de ocorrência, “os quais servem para medir a incidência criminal nas localidades e assim distribuir racionalmente as patrulhas escolares, bem como outros programas de policiamento, caso haja necessidade”.  
Dentro desse policiamento, explica a Secretaria, são realizadas abordagens a pessoas em atitudes suspeitas, ou outras ações da polícia, conforme o caso.  
Como medidas de prevenção, a Secretaria orienta aos alunos que não permaneçam por muito tempo em frente à escola; que procurem chegar próximo ao horário de entrada; enquanto aguardam o horário de entrada não ostentem aparelhos celulares, ou objetos de valor; e caso forem para a escola a pé, evitem passar por locais ermos, sem iluminação, e ainda que procurem se deslocar em grupos. 
As adjacências da Escola Estadual Professora Beathris Caixeiro Del Cistia, diz a nota enviada pela Secretaria, “é prioridade de patrulhamento das viaturas responsáveis pelo policiamento da área, bem como alvo de planejamento de ações policiais”. 

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